Minas Sustentável

Meio Ambiente, cidades sustentáveis

Antes tarde do que nunca: depois de várias mortes, DNIT que tem gestão do PT anuncia plano de emergência para Anel Rodoviário

Promessa da vez é instalação de mais quatro radares no Anel

Fonte: Douglas Couto – O Tempo


Pacote.  Após alegar que não pode “fazer mágica”, Dnit anuncia plano de emergência para trecho mais perigoso

Departamento diz que vai reforçar sinalização para caminhoneirosComitê. Representantes de diversos órgãos se reuniram ontem para anunciar medidas emergenciais.

Após ignorar as mortes e dizer que não poderia “fazer mágica” no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) apresenta um plano emergencial para tentar reduzir os acidentes na via. No pacote de promessas, estão a implantação de quatro novos redutores eletrônicos com velocidade máxima permitida de 70 km/h e a melhoria da sinalização.

Com os novos radares, sobe para cinco o número de equipamentos eletrônicos no trecho (leia mais no quadro ao lado). Um deles já funciona na altura do bairro Buritis. Os redutores vão cercar os motoristas infratores no ponto mais crítico do Anel Rodoviário: entre o bairro Olhos d Água e a avenida Amazonas.

O compromisso do Dnit é que eles comecem a ser instalados ainda hoje. Enquanto isso, três radares móveis serão usados na fiscalização da via. Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), eles vão funcionar todos os dias, de 7h às 20h.

O pacote com as novas medidas foi divulgado ontem, após reunião entre o vice-prefeito Roberto Carvalho e o coordenador geral de operações do Dnit, Luiz Cláudio Varejão, que veio de Brasília para o encontro. O assunto voltou à pauta na última sexta-feira, quando cinco pessoas morreram em mais um grave acidente na via.

Outra proposta é integrar o trabalho das polícias Militar Rodoviária (PMRv) e Rodoviária Federal (PRF) – os agentes federais passariam a atuar na fiscalização na altura do bairro Olhos d Água. O Dnit ainda deverá sinalizar a área com placas, alertando os caminhoneiros a usar a faixa da direita.

O superintendente adjunto do Dnit em Minas, Sebastião Abreu Ferreira, não garante, no entanto, a eficácia das medidas. “Não podemos entrar na cabeça dos caminhoneiros e obrigá-los a respeitar a sinalização e o limite de velocidade”, afirmou. Para ele, a solução definitiva para o problema passa pela reformulação do Anel, cuja licitação está prevista para abril. “As obras só começam em agosto”, ressaltou Ferreira.

Eficácia.

Entre os especialistas em planejamento de trânsito, não há consenso sobre a eficácia das propostas. Para o professor David José Ahouagi, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além dos radares, seriam necessárias outras ações. “Se o motorista estiver bêbado, nem verá os radares. O problema é a saturação”.

Já na avaliação do especialista Ronaldo Guimarães Gouvêa, também da UFMG, os equipamentos são importantes. “A cultura do excesso de velocidade nas vias só acaba com a disciplina da multa”.

“Sem valor”

Decreto de emergência é negadoAinda durante a reunião de ontem, foi acertada a criação de um comitê gestor do Anel. O grupo será formado por representantes das polícias Militar Rodoviária (PMRv) e Rodoviária Federal (PRF), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da prefeitura da capital. Eles devem ser reunir a cada 15 dias para discutir os problemas da rodovia.

Segundo o vice-prefeito Roberto Carvalho, a restrição de caminhões no Anel está descartada pelos órgãos. Outra ideia que não vingou foi o decreto de situação de emergência, proposto anteontem pelo prefeito Marcio Lacerda. “Essa medida não teria valor em uma área que é de competência da União”, afirmou o vice-prefeito. (DC)

Depoimento

Wilson Vieira

Ficou paraplégico após batida no Anel

“Não digo que minha vida acabou porque estou vivo. Lembro perfeitamente do dia 30 de março de 2009. Estava chovendo muito e eu seguia para o trabalho. Estava na mesma altura do Anel em que houve esse último acidente, no bairro Betânia. Trafegava de moto pela pista da direita, dentro da velocidade permitida. Um carro de passeio me acertou em cheio. O motorista fugiu. Fiquei internado 71 dias, 23 deles em coma. Fiquei paraplégico. O Anel mudou minha vida. Agora, preciso de pelo menos três pessoas para conseguir entrar e sair de casa. Nada é como antes. Dizem que vão instalar mais radares. Isso será suficiente? Foi preciso esperar tantas mortes para começar a agir? A culpa não é só das autoridades, mas também dos motoristas que não respeitam o limite de velocidade”

Anúncios

02/02/2011 - Posted by | gestão, obras públicas | , , , , , ,

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: