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Aécio adota postura enérgica contra o PT

Pré-candidato do PSDB, senador vai, a partir desta semana, questionar gestão do PT com uma nova bateria de comerciais no rádio e na TV.

Eleições 2014

Fonte: Valor Econômico 

Aécio sai do bastidor e retoma ofensiva

As circunstâncias políticas mudaram e junto com elas o comportamento do pré-candidato do PSDB a presidente, senador Aécio Neves. Antes discreto, o tucano está agora na ofensiva, que deve ser ampliada a partir desta semana com uma bateria de comerciais do PSDB no rádio e na televisão. A CPI da Petrobras é o sujeito atrás dessa virada.

Contrariando o estilo de político de bastidor, o pré-candidato do PSDB tomou a frente das articulações para a criação da CPI, quando a presidente Dilma Rousseff deixou-se enredar na trama da compra de uma refinaria, a preço superfaturado, pela Petrobras, em Pasadena, no Texas (EUA). Uma iniciativa de risco, dez vez que o governo é amplamente majoritário no Senado.

Para viabilizar a CPIAécio precisava de 27 assinaturas, um terço do Senado. Conseguiu 28, com a ajuda definitiva do governador de Pernambuco e pré-candidato do PSBEduardo Campos. Mas Campos não seria decisivo, se o pré-candidato do PSDB não tivesse antes garimpado autógrafos na própria base do governo. Foi nesse instante que a mudança na conjuntura ajudou.

Em abril de 2013, o PSDB tentou explorar as mesmas denúncias contra a gestão do PT na Petrobras, mas não encontrou receptividade na base governista. Agora, não só contou com uma rebelião no PMDB, como também novos parceiros de oposição (o Solidariedade, por exemplo). E a eleição, que em abril do ano passado era um fato longínquo, já determinava, desde o início de 2014, novos alinhamentos políticos.

Exemplo: o presidenciável tucano sempre manteve boas relações com o PP, partido da base governista. Mas a senadora gaúcha Ana Amélia, candidata do partido ao governo do Estado, só assinou o requerimento da CPI, a pedido de Aécio, depois que DEMPSDB e Solidariedade decidiram jogar juntos na sucessão estadual.

Foi a semana perfeita de Aécio. Na segunda-feira ele esteve em São Paulo numa reunião com empresários. Foi aplaudido de pé, ao contrário do que aconteceu em outras incursões que fez no PIB paulista, quando teve recepção fria. Uma pesquisa entre os presentes indicou que ele ganharia a eleição, se a escolha ficasse a cargo desse grupo de empresários: 56% contra 28% de Dilma e 13% de Eduardo Campos.

À saída, também fez sua melhor intervenção na pré-campanha desde que foi eleito presidente do PSDB, em maio de 2013. Diante das ameaças de setores do PT de recorrer ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na hipótese de queda acentuada da popularidade de DilmaAécio declarou que “não importa se é o ex-presidente Lula ou Dilma [o adversário]. O que eu quero é mudar um modelo que não vem fazendo bem ao Brasil”.

Em uma só manifestação expôs o queremismo petista e disse que não teme enfrentar LulaAécio acredita que as pistas seguidas pela oposição indicam que o ex-presidente da República também é vulnerável ao escândalo da compra da refinaria de Pasadena, cujos principais trâmites ocorreram nos seus dois mandatos no Palácio do Planalto.

Em encontros com jornalistas, Aécio sempre repetiu que eles estavam conversando “com o futuro presidente da República”. Desde sua eleição para presidente do PSDB, em maio do ano passado, as avaliações sobre sua viabilidade eleitoral eram reticentes, sobretudo diante da atuação apagada do senador por Minas Gerais.

Segundo aliados, antes de avançar como candidato, Aécio precisava pacificar o PSDB, empreitada difícil, mas que o senador julga hoje ter levado a cabo. Prova disso é que o ex-governador José Serra, seu maior adversário no partido, indica que será candidato a deputado federal, o que pode levar o PSDB a eleger uma boa bancada por São Paulo, um colégio eleitoral chave para as pretensões de qualquer candidato a presidente da República.

Outra demonstração de que Aécio tem o partido nas mãos e a candidatura presidencial sob controle ocorreu quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recuou de uma posição contrária à criação da CPI, tão logo Aécio deixou claro que aquela era uma decisão partidária. Não fazia sentido FHC ficar contra Aécio – e fragilizar o candidato tucano -, quando a Polícia Federal já havia aberto mais de um inquérito para investigar o negócio de Pasadena.

Outra boa notícia da semana: o prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto, deixou claro aos aliados que está fechado com a candidatura Aécio Neves, o que assegura um precioso minuto de tempo de televisão no horário eleitoral gratuito para o tucano – no comando da cidade que detém o terceiro maior colégio eleitoral do país, ACM Neto se manteve afastado o quanto possível da questão eleitoral, a fim de preservar suas relações com o Planalto.

Ainda há dificuldades na composição com o deputado Ronaldo Caiado, que insiste em disputar contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mas o presidente do DEM, Agripino Maia, também trabalha pela reedição da aliança PSDB-PFL.

A maior ameaça à semana perfeita de Aécio veio de seu próprio quintal, quando na quarta-feira o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), admitiu a possibilidade de deixar o cargo para disputar o governo do Estado. Um fato novo com potencial para desarrumar o cenário que Aécio desenhara para a sucessão em Minas e, o que seria mais grave, envenenar as relações amistosas com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Segundo o PSBEduardo Campos não teve influência na decisão de Márcio Lacerda. Não estimulou sua candidatura, não pediu e até o início da semana trabalhava com a informação de que Lacerda não seria candidato. O prefeito, na realidade, movia-se por injunções da política local. Bastou uma boa conversa com Aécio Neves, na quinta-feira, para que o prefeito voltasse atrás.

Aécio e Campos querem o mesmo lugar, a cadeira de Dilma, mas sabem que em algum momento, depois do fim de junho, a atual relação amistosa deve abrir espaço para a disputa de quem vai para o segundo turno com Dilma, se houver segundo turno. O desafio dos dois pré-candidatos é manter uma disputa saudável, de modo que possam estar juntos mais adiante.

Aécio Neves retoma o protagonismo num momento importante da pré-campanha, quando Eduardo Campos parece magnetizar todos os holofotes.

Com menos de 20% nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até sexta-feira, Aécio está distante do desempenho histórico do PSDB nas eleições presidenciais. O figurino de oposição parece assentar melhor no governador Eduardo Campos.

Essa percepção é que Aécio pretende mudar ao assumir o comando da CPI. No momento exato em que uma overdose de PSDB e Aécio deve tomar conta da propaganda partidária no rádio e televisão a partir de 8 de abril com dezenas de inserções de 30 segundos do PSDB que serão exibidas até o dia 15, quando então será levado ao ar o programa partidário de dez minutos.

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07/04/2014 Posted by | Política | , , , , , | Deixe um comentário

Aécio: O Brasil irreal do PT, coluna Folha

No país do PT, a Petrobras vai muito bem, o PAC impulsiona o desenvolvimento, o governo respeita limites entre interesse público e partidário.

“Criatividade” tem limite. E desrespeito também

O Brasil do PT

Aécio Neves

Na última semana, o Brasil viu a Petrobras continuar afundando num poço de lama. E, enquanto o governo mobilizava todas as forças e artifícios para impedir que as irregularidades fossem investigadas, fomos confrontados com mais um dano provocado pelo aparelhamento das nossas instituições. Desta vez, a vítima é o Ipea, importante referência da vida nacional.

Com “criatividade” de mais e ética de menos, o governo faz com que o brasileiro não conheça mais a realidade do país em que vive. Três exemplos:

1) O PAC 1 até hoje não entregou inúmeras obras prometidas. Outras, muito atrasadas, foram incorporadas de forma disfarçada à prestação de contas do PAC 2, que sofre com a ausência de resultados para chamar de seus. A realidade, que geraria constrangimentos em muitos governos, não impede o atual de preparar, novamente, para a véspera das eleições, o lançamento do PAC 3.

A propaganda maciça enterrou de vez a chance da população perceber uma das maiores farsas construídas no país, que vende como novidade e resultado do governo federal o que não é uma coisa nem outra.

No Brasil, tudo o que antes era rotina de governos virou PAC. Investimentos realizados por empresas privadas, por empresas estaduais e até a prestação paga pelas famílias pela casa própria inflam os números anunciados.

2) Há pouco tempo, o governo lançou milionária campanha publicitária: “o fim da miséria é apenas o começo“, dizia a propaganda. Meses depois, no programa partidário do PT, veiculado em outubro de 2013, a presidente, em pessoa, candidamente afirmou: “e como já dissemos antes, o fim da miséria é apenas o começo”.

Como assim? Quem disse antes foi o governo federal, com recursos do contribuinte, e não o PT. Ou seja, o governo federal gasta milhões de recursos públicos para repertoriar um slogan a ser utilizado pelo partido da presidente?

3) O acordo Metas do Milênio da ONU fixou em US$ 1,25 por dia a renda per capita mínima para retirar uma pessoa da extrema pobreza. Foi esse o critério utilizado pelo governo federal para anunciar que o país estava acabando com a pobreza absoluta. Pois bem, por esse mesmo critério, o governo federal deveria estar pagando hoje ao beneficiário doBolsa Família um mínimo per capita de aproximadamente R$ 85. Quando o governo convocará rede de TV para informar aos brasileiros que, lamentavelmente, 16 milhões de pessoas voltaram para a extrema pobreza?

No país do PT, a Petrobras vai muito bem, o PAC impulsiona o desenvolvimento nacional, o governo respeita os limites entre o interesse público e o partidário. E, o mais importante, acabou com a pobreza absoluta no Brasil.

Criatividade” tem limite. E desrespeito também.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.

07/04/2014 Posted by | Política | , , , , , , , , | Deixe um comentário