Minas Sustentável

Meio Ambiente, cidades sustentáveis

Projeto do Governo Aécio alia produção de alimentos agroecológicos à inclusão social

De Iraque/Kuwait para Jardim dos Pequis. A mudança do nome de um bairro já dá a ideia de como um projeto simples, mas bem estruturado, pode melhorar a vida de uma comunidade. Há quase 30 anos, Sete Lagoas, na região Central do Estado, vem tendo sua paisagem modificada pelo projeto Hortas Comunitárias Urbanas, que atualmente beneficia mais de 300 famílias do município. O cultivo de hortaliças já representa uma atividade econômica importante para a região, aliando a produção de alimentos agroecológicos à inclusão social.

E o exemplo já está sendo seguido em diversos municípios do Estado, como Betim, Santa Luzia, Ribeirão das Neves, Contagem, Uberlândia, entre outros. O trabalho, divulgado ao longo dos anos, já rendeu vários prêmios à Prefeitura de Sete Lagoas. O relato da experiência, com foco na produção e abastecimento, foi selecionado entre outros 150 para apresentação no 5º Congresso Pan-Americano de Incentivo ao Consumo de Hortaliças e Frutas para Promoção da Saúde. O evento será realizado em Brasília, no período de 21 a 24 de setembro e tem como objetivo promover o debate sobre as experiências e estimular o consumo seguro e amplo de frutas e hortaliças, sem perder de vista a promoção da saúde.

presidente da Emater-MG, José Silva Soares, destaca o papel da extensão rural para o desenvolvimento de iniciativas como a de Sete Lagoas. “O fortalecimento das parcerias com os municípios é fundamental para viabilizar a produção de alimentos também nas cidades, com a garantia de assistência técnica e apoio no acesso ao crédito e na busca de novos mercados para a agricultura familiar”, afirma.

O pontapé do projeto em Sete Lagoas foi dado em 1982, com a criação de uma horta no bairro Manoa, numa parceria entre a prefeitura, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e o Programa Estadual de Alimentação Escolar. Inicialmente, 35 famílias integraram o projeto. Obedecendo a normas que primam pelo desenvolvimento sustentável, a produção garante alimentos com segurança alimentar a famílias de baixa renda, que têm na atividade uma fonte de renda fundamental.

Atualmente, o projeto das hortas urbanas já faz parte dos programas de urbanização da prefeitura. Nos bairros criados em substituição às ocupações em área de risco, já são destinadas glebas para as famílias que quiserem criar suas hortas. Bairros de áreas periféricas, como Montreal, Canadá ou Barreiro já foram beneficiados. Neste último, 12 famílias participam do projeto e ainda há espaço para pelo menos mais 20 famílias. O bairro Jardim dos Pequis, que substituirá com 240 casas a área conhecida como “Iraque/Kuwait”, será o próximo a reservar espaço para as hortas.

Para ser admitida no projeto, a família passa por uma avaliação, que inclui entrevista com assistente social, emissão de laudo para a prefeitura e para a Associação de Produtores da Horta Comunitária escolhida. Após aprovação – a família não pode ter outra fonte de renda, a princípio -, cada família recebe uma área de 360 metros quadrados. A prefeitura disponibiliza o cercamento da área, água tratada com reservatório, sementes para a primeira produção e transporte para as feiras livres. Podem ser plantadas quaisquer hortaliças, normalmente são mais de 20 espécies.

Segundo o presidente da Central das Associações de Hortas Comunitárias Urbanas de Sete Lagoas, Benedito Rafael da Costa, a iniciativa de trabalharem em conjunto partiu da Emater-MG. Com o crescimento do número de hortas no município, cresceu também a necessidade de se organizarem. Vindo de outra cidade, Rafael começou a trabalhar com o irmão no município. Em pouco tempo foi convidado para presidir a primeira associação criada, apoio da Emater-MG. Isso ocorreu em 2000, hoje cada horta tem a sua. “Ainda existem algumas pessoas que não vêem a necessidade de trabalharem em conjunto, mas já temos 284 associados”, observa Rafael. “O nosso objetivo é orientar as famílias, buscar novos apoios e patrocínios para a distribuição do que é produzido, além de auxiliar os extensionistas da Emater-MG no acompanhamento técnico das hortas”, explica.

Histórias de sucesso não faltam. Como o caso de Denise Flores, que com o trabalho na horta conseguiu concluir o sonhado curso superior e se tornar professora. A extensionista da Emater-MG no município, Érika Regina de Oliveira Carvalho, relata casos de famílias que conseguiram superar as limitações sociais e elevar seu padrão financeiro com o trabalho nas hortas: “Muitas famílias conseguiram comprar casas, carros, possuem até seguro-saúde e tudo isso foi proporcionado pelo cultivo das hortaliças. A maioria das famílias tem pelo menos 50% de sua renda garantida pelo que é produzido nas hortas. A outra parte dos ganhos veio após o impulso dado em suas vidas por este trabalho”, afirma Érika. De acordo com ela, a renda média de uma família é de um salário mínimo e meio, mas há casos em que a renda chega até a R$ 1 mil por semana.

Há, no entanto, alguns obstáculos. A produção de Sete Lagoas já excede a demanda do município. De cada 16 canteiros que compõem a área de uma horta, uma é destinada ao abastecimento da merenda escolar. O restante pode ser comercializado pela família livremente. Com um volume grande de hortaliças produzidas – no ano passado foram 30 toneladas -, os produtores enfrentam agora o desafio de buscar novos mercados. Para a extensionista Érika, as famílias têm usado a criatividade. Um deles é o fornecimento da produção para centros como Belo Horizonte ou mesmo estabelecer contratos com restaurantes. “É um projeto que só tende a crescer. Com o enquadramento no Programa da Agricultura Familiar, ninguém nos segura. Precisamos apenas resolver a logística do negócio”, conclui.

Anúncios

14/09/2009 Posted by | Ação Sustentável, Meio Ambiente | , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário